Pequim 2008 – a primeira medalha

16 08 2008

Imagine que você está saboreando seu maravilhoso sanduíche engordurado, derrubando meio vidro de maionese em cada pedaço que você morde. Imagine que por um acaso a televisão que tem por perto está ligada em mais uma transmissão das olimpíadas 2008 (ou como eu gosto de chamar, o evento em que milhares de atletas disputam pelo título de melhor, e eu não me importo nem um pouco).

O cheiro de fritura no ar e a sensação de barato ao se comer algo infinitamente gorduroso, me deixam em um estado totalmente zen que eu não experimentava há muito tempo. Maionese, batata palha e carne de hambúrguer. O sucesso para nos tornarmos gordinhos felizes que não arrumam namorada. Bem, pelo menos a namorada eu já não tenho…

Mas estamos fugindo do principal.

Na televisão um comentarista fala alguma coisa enquanto algumas mulheres sobem no pódio para receberem uma medalha. UAU!!! Aposto que no dia seguinte elas não terão problemas para conseguir refeições gratuitas em restaurantes de luxo.

Um dos atendentes com a mão cheia de gordura se aproxima da televisão. “Não, esse cara é todo sem emoção, não sabe comentar. Esse aqui é bem melhor”.

Melhor? Fiquei pensando, esse cara deve curtir mesmo um esporte. Mas para minha surpresa o narrador era o Galvão Bueno falando suas baboseiras características.

Jesus. Alguém consegue ser pior que o Galvão Bueno? Ou o atendente apresentava um quadro febril por ter escutado tanto brega em sua vida?

Enfim. Enquanto Galvão falava suas características besteiras eu tentava terminar meu sanduíche em paz. Na TV, homens se apresentavam para uma platéia ensandecida, enquanto faziam aquecimentos para pular na piscina.

“Ah, sim é aquela natação e tal’.

Resumo da história. Galvão falou muitas bobagens e o tal brasileiro venceu a prova. Nossa! Pela primeira vez o Galvão não foi pé frio. Eu juro que pensei que o brasileiro chegaria em último depois que o Galvão veio com a máxima “Vamos nadar junto com ele”.

Resultado, a histórica medalha de ouro para o Brasil na natação. Não que isso me importe ou vá mudar minha vida, mas foi o que aconteceu. O engraçado era depois um gordo na mesa ao lado, fazendo comentários como se ele fosse expert em natação. Como se ele não afundasse na piscina se tentasse nadar.

Gordura, natação e barato. Isso é tudo que a vida tem para me oferecer?