Dedmo, o aventureiro – O matador de dragão

28 02 2009

Algumas coisas se tornam engraçadas quando lembramos.

Ontem eu estava caminhando tranquilamente pela estrada a caminho de Monthar quando um dragão apareceu. Por Odim! Aquele era um dragão enorme. Saquei meu martelo mágico e trouxe todo o ódio do trovão para aquela criatura. Ele não sentiu nada.

Lutamos por quase seis horas e destruímos mais ou menos umas oito vilas, quando vi uma criança. A criança chorava assustadoramente. Seus gritos estridentes arranharam todo o meu córtex cerebral me causando um pouco de repulsa àquela pequena criatura. O dragão ficou completamente aborrecido e matou-a. Aquilo me deu uma idéia.

Eu recuei um pouco para executar meu grande plano. Usando minhas sandálias da velocidade burlesca, corri ao redor do mundo apanhando o máximo de bebês que consegui. Então voltei até o dragão.

Eu tinha cerca de trezentos bebês chorando enfurecidamente. Só não enlouqueci pois habilmente tinha colocado tampões mágicos, que ganhei em outra ocasião de uma bruxa em troca de sua vida. O dragão caiu em um frenesi insano de loucura e tentou matar todos os bebês com um poderoso ataque. Sentindo aquela oportunidade, usei o meu absurdo poder em um ataque centralizado ao dragão. Eu estava exausto, mas finalmente o dragão tombou perante meus pés.

Eu mal conseguia ficar de pé, cercado por aqueles cadáveres de bebês. Eles eram heróis e eu sabia disso. Gastei um minuto de silêncio, na chuva, em memória àqueles pequenos heróis e então eu fui em busca de uma taverna. Lá eu continuei honrando a memória dos pequeninos e bebi vinho a vontade. Depois **** uma meretriz para recuperar meus poderes.

A viagem para Monthar seguiu sem maiores incidentes.





Sangre, irmão. Meias palavras não completam um dicionário.

27 02 2009
#1

Olhos condenados.
Ouço a escuridão.
O gosto dos demônios tocando meu rosto.
Absolutamente incapaz de reagir.
Agito meus braços em busca de alívio.
Ouça, ouça a escuridão.
Observe meu medo.
Procuro sempre uma saída para meus sentidos.
Cápsulas necrosadas dançando ao meu redor.
Bichinhos coloridos tentam fazer amor comigo.
Risinhos sublimados invadem meu cérebro.
Ouço o farfalhar de suas escamas tocando minha pele.
Por Deus, não posso me mexer.
Por fim satisfeitos, se vão.
Deixando apenas medo.
Choque.
Tomo uma pílula pra relaxar.
É aí que eles voltam.

#2

- Por que você continua tomando se o barato é terrível?
- Não sei. Já se tornou uma compulsão.
- Você é um sádico. O vício é justificável quando sentimos prazer. Buscamos uma vida longe de sofrimento e dor. Prazer é nosso guru. A vida é ruim e temos que nos viciar em tudo que nos deixe bem.
- Talvez eu tenha me viciado em dor.
- Masoquismo.
- Talvez eu odeie tanto minha vida que mergulhei no caminho da autodestruição em busca da morte.
- Você é maluco.
- A loucura é uma forma de morte. Morte de uma vida racional. A racionalidade me cheira a urina. Fede como a carcaça podre de algum animal. Mergulho na loucura e tudo faz sentido. Amor, Deus, remédios, amigos. O que seriam deles sem a loucura? Nada. Nenhuma pessoa sã escolheria essas coisas.
- Essa sua lógica não faz o menor sentido.
- Você é apenas escravo da realidade. Preso pela razão. A única forma de saber quem realmente somos, e aproveitar nosso potencial, é mergulhar no caminho da autodestruição. Autopreservação é escravidão. Ela é Hitler da liberdade. E o livre pensamento são judeus.
Ele levantou e saiu. Não tinha como argumentar com essa lógica. Nem queria.
Pessoas podem se tornar tão idiotas que acabam virando à prova de palavras.
Havia algo que vivia ao nosso lado. Que em algum momento da vida se mostrava perfeita. A irracionalidade disfarçada de racionalidade.
Era um vírus, que fazia com que as pessoas se passassem por imbecis, achando que se não fosse assim, seriam imbecis.
Ele mesmo apresentava tais sintomas.
Nossa vida jamais nos pertenceu.
Liberdade é conversa fiada para vender livros.
O livre pensamento é apenas um pensamento implantado.
A verdade é que não controlamos nada.
Ataque cardíaco. Síndrome de Munchausen.
A verdade é que estamos perdidos em um labirinto. E não existe luz, porque somos cegos.
- Então por que você não se mata logo? – falou em voz alta, sozinho, no meio da rua.
Foi até a calçada e entrou num bar. A bebida sempre levava a desorientação embora.
É sempre mais fácil morrer um segundo de cada vez.