Insônia e ecos de um dia que se foi

31 08 2008

As vezes você não tem nada para fazer a não ser remoer fatos de sua vida. Deitamos em nosso leito em busca de conforto e redenção, mas nem sempre é o que encontramos. As vezes o tédio é tanto que me impede de dormir, o que é estranho. Eu vivo dias querendo dormir e noites longe da cama, é um paradoxo que eu não consigo entender. Por que minha relação com o sono é tão conturbada?

Sigo meus dias tendo minha retina queimada pelo meu monitor LCD. Quem foi que disse que evolução é uma coisa boa? Quem me garante que essas ondas invisíveis que estão entre nós (rádio, microondas, ultravioleta[?] e outras) não queimam nossos cérebros e nos transformam em robôs com nada além de uma massa intragável na cabeça?

Pela tarde encontrei uma pessoa não tão velha. É estranho quando encontramos alguém que nos era tão intímo no dia anterior e por uma fração de segundo nos parece tão distante. Aqueles poucos segundos que agimos como desconhecidos me pareceu uma eternidade. Reflexos de um outro mundo em que tudo seria diferente.

No fim da noite abro meus olhos e desperto. Não desperto para uma nova vida ou um novo mundo. Eu sou o mesmo e ainda assim outra pessoa. O despertar é inevitável, mas isso não quer dizer que não continuamos dormindo.





Música para meus ouvidos: Slipknot – All hope is gone

30 08 2008

A quem possa interessar eu não sou mais um empolgadinho. Gosto de Slipknot desde a época de Slipknot e Iowa.

Por que estou me justificando? Foda-se sua opinião.

Fazia muito tempo que não escutava Slipknot, tudo bem, confesso que não sou muito fã de metal (se é que Slipknot é considerado metal. Bem, é melhor riscar isso, não sou muito fã de rótulos).

Fazia muito tempo que não escutava Slipknot. E agora com o novo álbum deles voltei a ouvir. Confesso que me identifiquei mais com as músicas de Slipknot e Iowa. Mas assim como o álbum anterior (Vol. 3: The Subliminal Verses), All hope is gone tem umas músicas muito boas, destinadas a serem eternizadas pelos fãs (uau).

Cada vez que escuto o álbum (porque cd já era) eu gosto mais dele. É sempre bom estar de volta em contado com a boa e velha destruição. Os gritos guturais, os solos macabros de guitarras, o ódio e a solidão ainda estão presentes. Eu adoro escutar Slipknot porque me sinto livre. Livre do mundo real, livre das minhas torturas pessoais e em contado com a minha vingança.

Recomendo Slipknot pra quem quiser ouvir. Quem não gostar pode fazer amor com uma galinha com diarréia. Amém.

Baixe a música foda do momento, Butcher’s Hook: Aqui.

E compre o cd: Aqui.

Esse post foi copiado descaradamente de http://365tracks.wordpress.com, e se eles não gostarem podem chupar minha meia.





Pequim 2008 – a primeira medalha

16 08 2008

Imagine que você está saboreando seu maravilhoso sanduíche engordurado, derrubando meio vidro de maionese em cada pedaço que você morde. Imagine que por um acaso a televisão que tem por perto está ligada em mais uma transmissão das olimpíadas 2008 (ou como eu gosto de chamar, o evento em que milhares de atletas disputam pelo título de melhor, e eu não me importo nem um pouco).

O cheiro de fritura no ar e a sensação de barato ao se comer algo infinitamente gorduroso, me deixam em um estado totalmente zen que eu não experimentava há muito tempo. Maionese, batata palha e carne de hambúrguer. O sucesso para nos tornarmos gordinhos felizes que não arrumam namorada. Bem, pelo menos a namorada eu já não tenho…

Mas estamos fugindo do principal.

Na televisão um comentarista fala alguma coisa enquanto algumas mulheres sobem no pódio para receberem uma medalha. UAU!!! Aposto que no dia seguinte elas não terão problemas para conseguir refeições gratuitas em restaurantes de luxo.

Um dos atendentes com a mão cheia de gordura se aproxima da televisão. “Não, esse cara é todo sem emoção, não sabe comentar. Esse aqui é bem melhor”.

Melhor? Fiquei pensando, esse cara deve curtir mesmo um esporte. Mas para minha surpresa o narrador era o Galvão Bueno falando suas baboseiras características.

Jesus. Alguém consegue ser pior que o Galvão Bueno? Ou o atendente apresentava um quadro febril por ter escutado tanto brega em sua vida?

Enfim. Enquanto Galvão falava suas características besteiras eu tentava terminar meu sanduíche em paz. Na TV, homens se apresentavam para uma platéia ensandecida, enquanto faziam aquecimentos para pular na piscina.

“Ah, sim é aquela natação e tal’.

Resumo da história. Galvão falou muitas bobagens e o tal brasileiro venceu a prova. Nossa! Pela primeira vez o Galvão não foi pé frio. Eu juro que pensei que o brasileiro chegaria em último depois que o Galvão veio com a máxima “Vamos nadar junto com ele”.

Resultado, a histórica medalha de ouro para o Brasil na natação. Não que isso me importe ou vá mudar minha vida, mas foi o que aconteceu. O engraçado era depois um gordo na mesa ao lado, fazendo comentários como se ele fosse expert em natação. Como se ele não afundasse na piscina se tentasse nadar.

Gordura, natação e barato. Isso é tudo que a vida tem para me oferecer?